Arquivo da categoria: Vida de Gato

Miaubrigada!

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O dia de ontem foi bem legal! Eu brinquei, procurei o colo da mamãe muitas vezes (que tirou muitas fotos de mim) e em comemoração a um mês na minha nova casa, comi o “sachêzinho”, que é um petisco pra duas-patas que eu adoro! Teve umas horas que eu aprontei muto e levei bronca mas…

…Mas não era nada disso que eu ia contar o.0″

O que eu ia dizer é que procurei o colo da mami porque ela ficou bastante tempo sentada trabalhando (ela trabalha sentada mexendo no computador, sabem?) E sempre que ela senta, eu tento me encaixar entre ela e o computador, hehehe. (Às vezes apóio minha cabeça no teclado pra descansar e a mamãe tira; nessas horas ela é muito chata, não posso ter um travesseirinho?)

Mas então, eu percebi que enquanto minha mãe tava sentada olhando pra tela, ela sorria muito. Fiquei olhando pra ver se entendia porque ela estava com aquela cara de bestona e ela me explicou que era por minha causa! Ou melhor, por causa do meu blog.

Ela falou que muitos duas-pernas visitaram meu cantinho virtual ontem, chegou a quase 200 visitas (e isso porque o normal é não passar de 10!) Disse que recebeu muitas mensagens, até de quem dizia que ficou emocionado com meu post de ontem. Ela me falou que muitos  duas-pernas estavam mandando carinho e parabéns pelo blog e por termos uma a outra.

Assim como a mamãe, fiquei muito feliz (só não sei porque não comentaram aqui mesmo, quase ninguém comenta direto no blog >.<) Eu sei que sou muito especial e quero dividir isso com o máximo de duas-pernas e quatro-patas possível…  :3 Mas ela disse que eu devia é agradecer por tantos gentes virem aqui só pra ler meu diário.

Então, como sou bem educada, vou obedecer a mamãe e dizer: “OBRIGADA POR RECONHECEREM COMO MINHA VIDA É  INTERESSANTE E COMO EU SOU LEGAL!” 

Espero que não tenham vindo me visitar só dessa vez e continuem aparecendo! Eu adoro receber a atenção que mereço! :3

(Ué, minha mãe tá me olhando estranho agora… porque será?)

Quase 200 visitas! Meu plano de dominação mundial está funcionando… >:3

Um Novo Lar

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Primeiro dia na casa nova :3

Um dia, mudei de casa.

Não sei como aconteceu.

Parecia um dia normal. Tio Mushi me pegou na casa quebrada pra levar no veterionário (não gostava de ir porque lá sempre tinha um quatro-patas-que-late bem maior que eu…), onde ficaram me fuçando toda como fazem quando vou lá (duas-pernas mexeriqueiros…)

Acho que tudo isso me deixou muito cansada, porque me lembro do tio Mushi me colocando num negócio fundo e macio, onde estava tão quentinho e escuro que caí no sono… às vezes a gente dava um solavanco, às vezes eu escutava uns barulhos, mas apesar de não estar vendo a saída de onde me colocaram, eu sabia que estava bem porque o tio Mushi estava comigo, e eu sempre soube que estando com o tio Mushi, tudo ia ficar bem.

Mas quando saí de dentro do lugar quentinho, vou dizer que fiquei na dúvida, viu?

Quando acordei e me tiraram de lá, eu tava num lugar totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto na vida! Não eram as ruas que eu conhecia, não tinha as mãos ou pés ou cheiros que eu conhecia — tudo tinha sumido e virado outra coisa!

Eu ainda tava tentando entender como a gente fecha o olho e acorda e está em outro lugar quando o tio Mushi me entregou pra uma duas-pernas desconhecida que nem o resto de tudo, como quem diz: “tó!” Ela me segurou direitinho, daquele jeito que a gente sente que não vão deixar a gente cair (e nem escapar…) Cravei as unhas nela, me segurando bem firme, porque eu não tava entendendo nada e só queria saber de olhar pra tudo que é canto.

Achei muito estranho aquilo tudo. Onde estavam minhas irmãs, minha mãe? Tinha muitos sons em volta, e barulho, e passavam uns coisos enormes de quatro-quase-pés, muito maiores que os humanos, que deslizavam e roncavam alto. E se me largassem sozinha naquele lugar que eu não conhecia? Fiquei agarrada na tia que me carregava, e tentei decorar tudo, mas tudo que podia, pro caso de saber onde me esconder se me deixassem ali.

Mas nada disso aconteceu (claro, né, senão como eu ia estar aqui contando tudo?) O tio Mushi e a amiga duas-pernas dele andaram, andaram, e me trouxeram até esse lugar novo, que eu não sabia ainda mas era onde eu ia morar dali pra frente.

É muito ruim ter que se mudar quando a gente tem quatro patas e mia. Isso porque nós somos muito ordeiros e gostamos de ter certeza de certas coisas — o que vai ter pra jantar, onde podemos tirar nossa sesta, que mãos mexem na gente. Quando nos mudamos, bagunça tudo! Nossa casa é o Aqui e os outros lugares são Lá. Aí de repente a gente se muda pra um Lá até que esse Lá vira Aqui e o que era Aqui vira Lá…

Tudo muito complicado e estressante!

A primeira coisa a fazer era reconhecer o território. Cheirar tudo, conhecer, tentar entender. De cara percebi um chão diferente, mais liso, e muito, muito mais coisas ao meu redor. Não estava mais numa casa quebrada — era uma casa inteira, inteirinha! Uma casa com coisas macias e outras altas, coisas arranháveis e escondíveis.

De repente me senti como o Laranjinha — em uma aventura, explorando o desconhecido!

Era tudo tão grande que às vezes enquanto eu explorava, eu me perdia. Nessas horas tinha medo de fazer que nem o Laranjinha e sumir também. Então miava, miava bem alto! Não demorava pro tio Mushi e a amiga dele aparecerem pra me resgatar. Foi aí que fui percebendo que ela era mesmo legal e se preocupava comigo.

Comecei a ver que esse lugar onde eu estava era cheio de brinquedo, comida e lugares quentinhos pra sentar e deitar. Nada mal!

Tinha um negócio bom demais pra enfiar as unhas.

Tinha coisas que rolavam e eram boas de perseguir, arranhar e morder. Eu nunca tinha perseguido, arranhado ou mordido nada tão macio a não ser meus irmãos.

Tinha uma caixa — não uma caixa qualquer, uma caixa do meu tamanho, com uma coisa fofa e gostosa chamada almofada dentro — onde dava certinho pra eu me deitar!

O tio Mushi e a tia amiga dele ficaram brincando muito tempo comigo, jogando coisas que pulavam e voavam e desciam e se escondiam e faziam cócegas. Estava tão divertido que nem percebi quando o tio Mushi foi embora.

Mas a amiga do tio Mushi ficou.

Ela falava boazinha comigo, me deu petiscos e me fez carinho. Além do mais, gostava de brincadeiras. Comecei a gostar muito dela!

Uma hora começou a bater o soninho, e como sempre, fui procurar minha mãe e minhas irmãs, pra gente dormir juntinho. Miei, procurei dentro das caixas, debaixo do sofá e atrás dos armários, mas não achei nada. Me lembrei do tio Mushi procurando o Laranjinha. A diferença é que não fui eu que me perdi — eu tinha era perdido minha família.

A tia de duas-pernas vinha sempre atrás de mim, passando a mão na minha cabeça, falando coisas que eu não entendia.

Me senti muito pequena e com um medo muito grande. Tão grande que eu corri pra caixa onde tinham coisas quentinhas, me encolhi toda e dormi de novo.

Achei que podia ser daquelas vezes que a gente dorme, acha que aconteceu um monte de coisas e quando abre os olhos de novo, era tudo de mentira.

Minha caixinha particular

Mais tade, acordei quando tudo estava escuro e em silêncio. Percebi que estava tudo igual, a mesma caixa, a mesma casa, os mesmos cheiros — era tudo verdade. E o pior, o desespero que eu que eu tava pra fazer xixi também! Eu tava muito apertada, mas muito mesmo! Mas como sou educada, me ensinaram que não devo fazer fora do lugar — e então, o que eu devia fazer? Eu até tinha uma ideia de onde era meu banheiro, mas o Medo voltou. Medo de sair pra procurar, me perder e nunca mais ser encontrada.

A tia de duas-pernas estava dormindo na almofada pro tamanho dela, e eu comecei a mexer nas coisas e fazer barulho até ela acordar. Fiquei muito feliz e até esqueci o Medo. Fiquei miando até ela me seguir. No final, o caminho que eu imaginava estava certo… Eu já tinha visto lá um outro tipo de caixa, cheio de uma areia que eu não conhecia. Eu sempre tinha feito xixi em jornal, mas aquela areia parecia muito boa também! Não tive dúvidas e mandei ver. E pelo alívio que vi na cara da tia de duas-pernas, pelo jeito tinha feito tudo direitinho!

Minha mãe e minhas irmãs não apareceram mais. Vai ver por isso, a tia passou o dia me dando muita atenção, comida e colo. Aos poucos, fui entendendo os caminhos da casa inteira, reconhecendo a voz da tia e gostando quando ela me pegava e a gente brincava. Não adiantava pensar muito — agora éramos só eu e ela.

Chegou a noite, eu fui pra caixa. Mas esperei a tia dormir pra então ir pra almofada dela. (Hi hi hi…)

Quando ela acordou, me achou toda enrolada, bem juntinho dela. Aí me abraçou. Ao nos encostarmos, podia sentir aquele mesmo tum-tum no peito dela que eu sentia quando estava com os outros quatro-pernas da família. O tum-tum que faz a gente ficar calmo e saber que está tudo bem. Então eu soube que ela não era minha tia, era minha outra mãe.

Minha mãe de duas-pernas me disse que hoje eu faço aniversário duplo — três meses de vida, e um mês desde que vim morar com ela.

Eu não sei se está certo, sempre tive dificuldade pra contar. Só sei que desde aquele dia, eu nunca mais dormi na caixa. Desde então, o Medo sumiu.

Desde então, sou feliz.

O Caso do Sumiço

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Foi bem cedinho. Pegou todo mundo desprevenido.

Um dia a gente acordou e faltava um.

Na hora a gente não percebeu nada — pra nós, “mais que três” é igual a “um monte” — mas quando notamos a cara do tio Mushi, entendemos que tinha alguma coisa errada.

Foi aí que percebemos que não tinha nenhum irmãozinho laranja com a gente. O  mais gordo maior-e-preguiçoso já tinha ido embora há uns tempos, e o menor-e-explorador agora tinha sumido também.

Tio Mushi e tia Marissel ficaram muito agitados, e eu não saquei porquê. O Preto e o Laranja-Maior já tinham ido embora também, porque então o Laranjinha não podia ir?

Mas aí eu fui entendendo que os meus outros irmãos tinham ido embora com supervisão. Já o Laranjinha, escafedeu-se sem se despedir de ninguém.

 Tio Mushi e tia Marissel começara a procurar e procurar. Mas eu já imaginava que eles não iam achar nada. E não acharam mesmo…

Já comentei que mamãe gostava de sair pra passear e caçar, e que na casa quebrada não faltavam buracos e saídas pra ir pra rua. Certeza que o Laranjinha esperou a todo mundo dormir e inventou de ir atrás da mami sozinho. Do jeito que ele é (era?)–  é, nem ela deve ter percebido que o estrupício tava na cola. Ele era bonzinho, mas muito sonso (como em geral são os bonzinhos…) Não era chegado em se destacar mais que os outros… o que é ótimo pra aprontar quando ninguém tá vendo. Ele queria explorar, brincar de aventuras.

(Por isso eu gosto de fazer bastante escândalo quando bagunço, se algo der errado, qualquer um vê e vem me acudir!)

Mas diferente do tio frajola — ele sumiu no mesmo dia em que o que sobrou do tio foi encontrado — o Laranjinha não deixou nada pra trás. Nem pegadas, nem corpo, nem nada. Mini-felino ninja, sumiu no ar! 

Laranjinha pelo jeito já tava treinando técnicas narutescas
mesmo laranja, sumia nas sombras…

O que acho é que algum duas-pernas acabou estranhando ver um filhote que mia ali, sozinho na rua, e acabou levando pra casa. Pra quê, ninguém sabe, né? Torço pra que não tenha sido um daqueles monstros disfarçados de duas-pernas, mas alguém que queria um quatro-patas-miantes pra fazer parte da família dele.

Outras vezes penso se o Laranjinha não pressentiu o que ia rolar com o tio frajola e antes mesmo de arrumarem outra casa pra gente, não achou que era melhor cair fora dali.

Mas o tranqueira bem que podia ter esperado! Eu e ele já estávamos pra ser adotados pela duas-pernas com quem moro hoje! (Tudo bem que na época eu também tava duvidando que ela ia aparecer, mas abafa)

Ela me disse depois que o tio Mushi deu um jeito de avisar mesmo ela estando metado do mundo de distância dele. Ela falou que quando soube do que aconteceu, sofreu tanto que até saiu aquela água que os duas-pernas derramam do olho quando estão tristes. Ela disse que foram muitas, muitas gotinhas. Ela queria levar nós dois juntos pra gente não estranhar a casa onde íamos morar. Pra nenhum de nós se sentir sozinho. Faltava só um dia pra ela voltar e ir buscar a gente =(  

Todo mundo ficou mal quando o Laranjinha sumiu — já a mami e nós, da irmandade das quatro-patinhas, estranhamos um pouco mas continuamos de boa. Quando um irmão começa a ir embora um atrás do outro, a gente pára de ficar impressionado, sabe?  E a gente confiou que apesar dos monstros disfarçados de duas-pernas por aí, o Laranjinha devia estar bem (ou teria deixado algum sinal). Não dá pra explicar. É um adivinhômetro, coisa de quatro-pernas, um lance que quem tem só duas não entende.

Ele era muito novinho, mas pelo menos teve coragem de sair em busca do caminho dele, coisa que muito duas-pernas por aí não pode falar que faz. Ele era um explorador. Também era um sem-noção, mas isso não vem ao caso…

Apesar de aquele traíra ter me deixado pra trás, pra encarar o que quer que fosse acontecer na nossa futura casa nova, tomara que esteja tão bem quanto eu estou hoje. Seja lá onde foi se meter.

Ele sempre mais quieto, eu sempre provocando ;p

(Ainda acho que ele foi espertão; sumiu um dia e pouco antes de eu, mamãe e o resto termos a barriga costurada pelo veterionário… salvou a pele, o pelo e as bolinhas!)-



Dia da Mamãe

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Vou interromper um pouquinho minhas histórias de vida que com certeza estão deixando vocês curiosíssimos e interessados pra falar de um troço que tem que ser agora.

Fiquei olhando ontem pela janela e vi que tava tudo muito agitado aqui em volta. Aí me contaram que é porque era uma comemoração que os duas-pernas gostam de fazer, o Dia das Mamães.

Eu achei engraçado as Mães terem que ter um dia assim, um só pra elas todas. Não falo que os humanos complicam tudo?

Todo quatro-pernas tem pelo menos uma mãe. Mesmo os que são largados desde miudinhos por aí vieram de alguma mamãe felina que  com certeza só se separou deles contra a vontade. E mesmo longe, ela dá um monte de presentes que o quatro-perninhas vai sempre carregar com ele: garras e dentes, habilidade de pular, saber de certas coisas sem ninguém precisar dizer e vontade de sobreviver. Parece pouco mas não é, viu? O que ia ser da gente sem essa herança?

Por isso, todo dia é Dia das Mães pra nós, porque cada mãe vive em seus filhotes. É natural, e não é por isso que seja menos maravilhoso. Essa maravilhência só acontece porque cada dia sentindo o que a mãe da gente passou pra nós é um dia feliz de uma vida boa.

É assim que a gente comemora em silêncio todos os dias.

Mas tem alguns quatro-pés que são privilegiados, e não tem uma só mãe, mas duas. Tem a mamãe que põe a gente no mundo, lambe a gente todo e cuida pra que a gente se crie, e a mãe que fica do nosso lado pelo resto do tempo zelando por nós, mesmo sendo muito diferente da gente e andando sobre duas pernas.

E eu sou uma dessas! 😀

Nada melhor que um colinho materno ❤

Ouvi meio por alto que o nome disso na verdade é “dona”. Mas quem falou disso tá na cara que não sabe nada de nada!

A mãe de duas-pernas me dá o que comer e o que matar a sede.

Ela me dá brinquedinhos e brinca comigo.

Ela pôs rede na janela pra eu poder correr atrás do meu rabo no parapeito sem cair.

Ela me dá apertões gostosos embaixo das pernas de agarrar dizendo que eu tenho um “sovaquinho felino”.

Ela me perdoa quando faço arte e me deixa dormir juntinho.

Ela me deixar ficar no colo quentinho quando faço romrom.

Ela faz de tudo pra me entender, mesmo eu falando língua de miado.

Ela me abraça e me coça e me dá beijocas.

Então isso não é mãe?

Ninguém é dono de nenhum quatro-pernas que mia. Não adianta mandar por mandar que a gente não obedece mesmo! Mas pra quem trata a  gente assim, aí nós  podemos escolher dar nosso amor. É uma troca de igual pra igual. E não é pouco conquistar o direito de ser considerada igual a um de nós!

E um dia depois desse dia das mães genérico que os humanos inventaram, e muito mais importante pra mim, é que hoje é o dia SÓ da minha mamãe duas-pernas. O dia que ela nasceu há muito tempo atrás, e graças a isso eu pude vir morar com ela um dia =3

Então pra mostrar que eu posso entender os humanos direitinho apesar de ainda achar eles muito engraçados, eu vou dar pra mamãe um parabéns pelo dia só dela!

E tudo que eu quero é que isso se repita muitas e muitas vezes pra que eu passe esse dia e muitos outros no colo quentinho dela, recebendo petisco, carinho e atenção =3 E em troca, ela ganha de presente ter o prazer de me chamar de filhotinha.

Não é uma troca justa? :3

Mamãe (de duas-pernas) e eu =3

O Perigo Mora ao Lado o.o

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Quem vê eu e meus irmãos brincando, tão pulantes e felizes, nem imagina que a gente corria perigo. T_T Nem a gente imaginava também.

Eu sempre escutava histórias da mamãe sobre uns duas-pernas que na verdade eram monstros disfarçados; ela contava que  esses malvados perseguem e machucam quatro pernas, sem motivo nenhum!

Mas eu achava que era conversa da mãe pra assustar a gente. Desde que nasci, só conheci duas-pernas muito legais, que nos tratavam tão bem quanto a própria família!

Além deles, também tinha um tio de quatro patas que volta e meia vinha visitar a gente lá na casa quebrada e filar um pouco de ração e carinho:

 O tio Frajola

A mamãe não gostava muito dele não o.o Fazia fffuuu, dava uns tabefes e não deixava a gente brincar com ele (fica entre a gente, mas acho que ela tinha ciúmes!) Mas ele parecia meio bobão e deixava, ficava do lado de fora da casa, não chegava perto de nós.

Um dia, a mãe — que sempre saía pra dar uns passeios, esticar as pernas e caçar — contou que esse tio de quatro patas tava parado num quintal aqui perto, parado numa posição estranha, como quem quer ir da casa pra rua. Pelas conversas dos duas-pernas lá de casa, entendi que ele tinha comido alguma coisa que puseram pra ele e fez mal, chamada “veneno”. Não respirava mais.

Juro que nunca tinha visto tio Mushi e tia Marissel tão revoltados até rolar isso =(

No começo não entendi que história era essa de não respirar, como assim? Aí me explicaram que quando a gente pára de respirar, é porque não pode mais andar, miar, brincar, comer ou correr. Chamam isso de “morte”.

Percebi que aquilo que a gente sente quando não enche a pança por muito tempo ou quando nos machucamos mais forte (meus irmãos tinham uns dentes bem afiadinhos…) no fundo, era medo disso aí.

Não gostei nem um pouco da ideia >.<

Fiquei pensando, como a gente faz pra saber que tem o tal veneno nas coisas que os duas-pernas deixam pra gente comer? É tudo tão gostoso… qualquer um de nós pode fazer NHAC e depois PLOFT? o___o

Percebi que os monstros disfarçados de duas-pernas existem mesmo! E que inventam muitos jeitos diferentes de caçar a gente. Mas não entendo porque, se não é pra encher a própria barriga e nem se defender.

Acho que quem faz isso só pode ser por inveja. Afinal, todo mundo sabe que a raça superior é a dos felinos. o;õ

Mas não temos culpa se alguns nascem pequenos, independentes, elegantes e fofinhos, e outros nascem grandes, feiosos, pelados e tendo que se equilibrar em duas pernas… u.u Se forem de boa, a gente pode até deixar as diferenças e tratá-los como se fossem  um de nós!

Minha mãe costumava dizer que a gente teve muita, muita sorte, de não ter que enfrentar nada assim. Mas pelo jeito, sorte é coisa com que não se conta: outros dois quatro-patas que miam da vizinhança acabaram igual o tio frajola =/ Não miam mais.

O resultado é que quando a gente começou a ficar grande, andando e querendo conhecer o mundo igual a mamãe, os tios de duas-pernas lá de casa passaram a achar isso tudo muito perigoso e resolveram que a gente precisava arrumar novas casas, mais seguras, o mais rápido possível.

Me disseram que com toda essa história, eu tinha que aprender a ter cuidado. Mas o que aprendi mesmo é que por causa dos monstros disfarçados de duas-pernas, a gente que tem quatro não pode ser totalmente livre =(

Eu, a Patroa e as Crianças

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Já reparei que os duas-pernas não costumam ter muitos irmãos. E quando tem, uns são bem mais velhos que outros.

Vocês não sabem mesmo como é ter mais cinco irmãozinhos da mesma idade que você, crescendo junto e fazendo bagunça junto brincando junto, né?

Às vezes a mamãe ficava até meio confusa com a gente, mas pra isso que tinha os duas pernas lá da casa quebrada pra ajudar :3 Vinha o tio Mushi, a tia Marissel e o marido dela, e todo dia tinha uns duas-pernas que ficavam quebrando ainda mais a casa e fazendo uma poeirada que só vendo (ou não vendo…)

Só sei que a gente tinha espaço à beça pra correr, se perseguir, se morder e se esconder!

Eu e o Pretinho! A gente bagunçava brincava até mais que os outros,
mas ele acabou indo embora logo… ;___;

O irmão com quem eu mais gostava de brincar era o Preto! Na maioria das vezes, a gente deixava os outros pra trás nas nossas bagunças, hehehe! 😉 Só ele conseguia me acompanhar!

Só que não era só eu quem gostava dele, não. A prima Júlia, uma filhotinha da família dos duas-pernas que sempre visitavam a gente também gostou muito dele… quase todo dia ela vinha nos ver! Me contaram que um dia ela não ia poder ir lá e acabou chorando… e nessa, meu irmãozinho pretolino foi embora, morar na casa dela =3

O Laranja, grandão e medroso 😄

O nosso irmão maior (de tamanho) era o Laranja (“Todo-Laranja”, pra não confudir com o outro, que era “Laranja-e-Branco”). Apesar de grandão e comilão, ele era medroso que só! Quando nos levaram ao vret.. vetre… vretrenár… ah, o tiozinho de branco pela primeira vez, ficamos fuçando, cheirando e checando tudo… e ele lá com a barrigona colada na mesa (o Laranja, não o tiozinho de branco), duro de medo 😄 Bobão!

(Ou vai ver que era o mais esperto e pressentiu que coisa boa não ia vir… se bem que eu é que não tenho medo de injeção!)

Ele também arrumou uma família de duas-pernas logo. Me contaram que na casa nova só come e dorme =p Tá ficando mesmo cada vez mais igual aquele gato das historinhas que me mostraram, que já era parecido com ele…

  As Irmãs “Par de Vaso” (ou “As Quase-Gêmeas”)

Essas são as minhas irmãs “par de vaso”, como tia Marissel costumava chamar. Falava assim porque por serem tricolores, dizia que pareciam “floridas” 😄 Foram as últimas a arrumar casa nova, depois de mim ainda.

Quando nasceram, pareciam bem iguaizinhas mesmo, mas com o tempo foram se diferenciando: uma era clone da mamãe, preta-branca-amarela, mas a outra em vez de ter manchas pretas pegou emprestadas de mim umas manchinhas rajadas de cinza =D

Tio Mushi chamava eu e elas de Cutie Mark Crusaders, mas minha atual mamãe de duas-pernas diz que éramos as Meninas SuperPoderosas: minha irmã com preto sempre foi bem zangadinha e nervosa, fazia ffuuuu quando achava que algo estava errado desde pequenininha =p Já minha irmã amarela com cinza parecia mais boazinha e meiga, embora não tenha tido medo de enfrentar o tio de branco quando ficou cara a cara com ele=p

E eu? Eu era a líder, é claro ;D

Laranja-e-Branco, o Come-Quietinho

E tinha o Laranja-e-Branco, também conhecido como Laranjinha. Era bonzinho como o Laranja, mas sempre achei mais curioso — lá no vetireonário ficou explorando tudo junto com a gente, enquanto o todo laranjudo tava fingindo que não existia 😄 Era pra gente ter ido pra mesma casa, mas esse jeitão de explorador acabou levando ele pra outros caminhos… depois conto isso mais disso aí =/

Eu, a mais linda de todos brinks e minha irmã de Robert no fundo
(Nessa época eu ainda tinha olhos azuis, hoje são cinzentos u.u) 

Acho que junto com o Preto, eu sou a filhota mais diferente da mami :3 Do amarelo e nariz cor de rosa dela, só herdei uns pelinhos aqui e outro ali na ponta da cabeça e um miolinho rosado de nada no meio do meu focinho. Aliás, isso faz com que meu nariz não seja preto, mas cor de café =p

Mamãe também tem a cara e pernas bem compridas, enquanto já me disseram que eu sou atarracada e tenho cara de mau humorada, pode? D= Logo eu, que adoro brincar e me divertir!

Mas sempre senti muito amor e carinho tanto da mamãe quanto dos meus irmãos de quatro pernas e de duas!

Eu achava muito estranho quando falavam pra mim que eu já tinha arrumado uma família humana mas ninguém vinha me buscar. Me falaram que era porque a duas-pernas que ia me levar pra casa tava muito longe, do outro lado do mundo, e só ia me pegar quando voltasse… eu achava que não tinha nada a ver, onde já se viu? O outro lado do mundo deve ser tão longe, como é que alguém ia vir de lá só pra me buscar?

Só sei que eu fui crescendo e achei que ia ficar lá pra sempre com meus irmãos (o que não ia ser nada mal),  mas fui vendo todo mundo ir embora aos poucos e eu ficando… até que um dia, me levaram embora também.

Foi a última vez que vi mamãe e minhas irmãs.

Volta e meia penso nessa galera toda com quem eu morava junto até pouco tempo atrás. Ainda mais quando pulo, brinco, mordo e corro, mas não tem mais nenhum deles por perto pra atazanar estar junto. Estranho que fica cada vez mais difícil lembrar da cara de cada um, mas das brincadeiras e correrias e até do jeito de cada um morder eu não esqueço, não.

E toda vez que não tem um irmãozinho na outra ponta do fio ou pra jogar a bolinha de volta, eu sinto um negócio.

Como é que os duas-pernas chamam?

Saudade?

 –


Caixinha de surpresas 


Minha irmã tentando defender a gente dos duas-pernas que
tavam fazendo a barulhada toda


Lanche e recreio \o/ 


LUTINHA!


Eu aprontando altas aventuras com uma turma do barulho!


Nossa 1ª ida ao tio de branco (e o Laranja tentando sumir XD)