Gatinhos Pintores Ajudam ONG

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Minha mãe fala que eu adoro fazer arte, mas desse tipo eu nunca tentei! 😀 #vontade

Fonte: Uol Tecnologia através de Susan Yamamoto 
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O Caso do Sumiço

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Foi bem cedinho. Pegou todo mundo desprevenido.

Um dia a gente acordou e faltava um.

Na hora a gente não percebeu nada — pra nós, “mais que três” é igual a “um monte” — mas quando notamos a cara do tio Mushi, entendemos que tinha alguma coisa errada.

Foi aí que percebemos que não tinha nenhum irmãozinho laranja com a gente. O  mais gordo maior-e-preguiçoso já tinha ido embora há uns tempos, e o menor-e-explorador agora tinha sumido também.

Tio Mushi e tia Marissel ficaram muito agitados, e eu não saquei porquê. O Preto e o Laranja-Maior já tinham ido embora também, porque então o Laranjinha não podia ir?

Mas aí eu fui entendendo que os meus outros irmãos tinham ido embora com supervisão. Já o Laranjinha, escafedeu-se sem se despedir de ninguém.

 Tio Mushi e tia Marissel começara a procurar e procurar. Mas eu já imaginava que eles não iam achar nada. E não acharam mesmo…

Já comentei que mamãe gostava de sair pra passear e caçar, e que na casa quebrada não faltavam buracos e saídas pra ir pra rua. Certeza que o Laranjinha esperou a todo mundo dormir e inventou de ir atrás da mami sozinho. Do jeito que ele é (era?)–  é, nem ela deve ter percebido que o estrupício tava na cola. Ele era bonzinho, mas muito sonso (como em geral são os bonzinhos…) Não era chegado em se destacar mais que os outros… o que é ótimo pra aprontar quando ninguém tá vendo. Ele queria explorar, brincar de aventuras.

(Por isso eu gosto de fazer bastante escândalo quando bagunço, se algo der errado, qualquer um vê e vem me acudir!)

Mas diferente do tio frajola — ele sumiu no mesmo dia em que o que sobrou do tio foi encontrado — o Laranjinha não deixou nada pra trás. Nem pegadas, nem corpo, nem nada. Mini-felino ninja, sumiu no ar! 

Laranjinha pelo jeito já tava treinando técnicas narutescas
mesmo laranja, sumia nas sombras…

O que acho é que algum duas-pernas acabou estranhando ver um filhote que mia ali, sozinho na rua, e acabou levando pra casa. Pra quê, ninguém sabe, né? Torço pra que não tenha sido um daqueles monstros disfarçados de duas-pernas, mas alguém que queria um quatro-patas-miantes pra fazer parte da família dele.

Outras vezes penso se o Laranjinha não pressentiu o que ia rolar com o tio frajola e antes mesmo de arrumarem outra casa pra gente, não achou que era melhor cair fora dali.

Mas o tranqueira bem que podia ter esperado! Eu e ele já estávamos pra ser adotados pela duas-pernas com quem moro hoje! (Tudo bem que na época eu também tava duvidando que ela ia aparecer, mas abafa)

Ela me disse depois que o tio Mushi deu um jeito de avisar mesmo ela estando metado do mundo de distância dele. Ela falou que quando soube do que aconteceu, sofreu tanto que até saiu aquela água que os duas-pernas derramam do olho quando estão tristes. Ela disse que foram muitas, muitas gotinhas. Ela queria levar nós dois juntos pra gente não estranhar a casa onde íamos morar. Pra nenhum de nós se sentir sozinho. Faltava só um dia pra ela voltar e ir buscar a gente =(  

Todo mundo ficou mal quando o Laranjinha sumiu — já a mami e nós, da irmandade das quatro-patinhas, estranhamos um pouco mas continuamos de boa. Quando um irmão começa a ir embora um atrás do outro, a gente pára de ficar impressionado, sabe?  E a gente confiou que apesar dos monstros disfarçados de duas-pernas por aí, o Laranjinha devia estar bem (ou teria deixado algum sinal). Não dá pra explicar. É um adivinhômetro, coisa de quatro-pernas, um lance que quem tem só duas não entende.

Ele era muito novinho, mas pelo menos teve coragem de sair em busca do caminho dele, coisa que muito duas-pernas por aí não pode falar que faz. Ele era um explorador. Também era um sem-noção, mas isso não vem ao caso…

Apesar de aquele traíra ter me deixado pra trás, pra encarar o que quer que fosse acontecer na nossa futura casa nova, tomara que esteja tão bem quanto eu estou hoje. Seja lá onde foi se meter.

Ele sempre mais quieto, eu sempre provocando ;p

(Ainda acho que ele foi espertão; sumiu um dia e pouco antes de eu, mamãe e o resto termos a barriga costurada pelo veterionário… salvou a pele, o pelo e as bolinhas!)-



Presente Felino

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Por causa do dia de ontem, a mamãe ganhou vários presentinhos! 

Um deles foi um desenho feito por um amigo dela que também faz historinhas em quadrinhos (a mamãe escreve histórias e por isso ela fica o dia todo em casa e eu posso aproveitar o colo a qualquer hora). Mamãe disse que o nome dele é Flávio Teixeira de Jesus (porque duas-pernas tem esses nomes tão compridos…?) e que ele é muito legal!

E eu vi que ele só pode ser mesmo, pois sabem quem ele desenhou? EU! Claro, que outro presente seria melhor?

Tio Flávio, eu ainda não te conheço mas você tem muito bom gosto, viu?

Não fiquei igualzinha? :3
Obrigada, tio Flávio! 

Dia da Mamãe

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Vou interromper um pouquinho minhas histórias de vida que com certeza estão deixando vocês curiosíssimos e interessados pra falar de um troço que tem que ser agora.

Fiquei olhando ontem pela janela e vi que tava tudo muito agitado aqui em volta. Aí me contaram que é porque era uma comemoração que os duas-pernas gostam de fazer, o Dia das Mamães.

Eu achei engraçado as Mães terem que ter um dia assim, um só pra elas todas. Não falo que os humanos complicam tudo?

Todo quatro-pernas tem pelo menos uma mãe. Mesmo os que são largados desde miudinhos por aí vieram de alguma mamãe felina que  com certeza só se separou deles contra a vontade. E mesmo longe, ela dá um monte de presentes que o quatro-perninhas vai sempre carregar com ele: garras e dentes, habilidade de pular, saber de certas coisas sem ninguém precisar dizer e vontade de sobreviver. Parece pouco mas não é, viu? O que ia ser da gente sem essa herança?

Por isso, todo dia é Dia das Mães pra nós, porque cada mãe vive em seus filhotes. É natural, e não é por isso que seja menos maravilhoso. Essa maravilhência só acontece porque cada dia sentindo o que a mãe da gente passou pra nós é um dia feliz de uma vida boa.

É assim que a gente comemora em silêncio todos os dias.

Mas tem alguns quatro-pés que são privilegiados, e não tem uma só mãe, mas duas. Tem a mamãe que põe a gente no mundo, lambe a gente todo e cuida pra que a gente se crie, e a mãe que fica do nosso lado pelo resto do tempo zelando por nós, mesmo sendo muito diferente da gente e andando sobre duas pernas.

E eu sou uma dessas! 😀

Nada melhor que um colinho materno ❤

Ouvi meio por alto que o nome disso na verdade é “dona”. Mas quem falou disso tá na cara que não sabe nada de nada!

A mãe de duas-pernas me dá o que comer e o que matar a sede.

Ela me dá brinquedinhos e brinca comigo.

Ela pôs rede na janela pra eu poder correr atrás do meu rabo no parapeito sem cair.

Ela me dá apertões gostosos embaixo das pernas de agarrar dizendo que eu tenho um “sovaquinho felino”.

Ela me perdoa quando faço arte e me deixa dormir juntinho.

Ela me deixar ficar no colo quentinho quando faço romrom.

Ela faz de tudo pra me entender, mesmo eu falando língua de miado.

Ela me abraça e me coça e me dá beijocas.

Então isso não é mãe?

Ninguém é dono de nenhum quatro-pernas que mia. Não adianta mandar por mandar que a gente não obedece mesmo! Mas pra quem trata a  gente assim, aí nós  podemos escolher dar nosso amor. É uma troca de igual pra igual. E não é pouco conquistar o direito de ser considerada igual a um de nós!

E um dia depois desse dia das mães genérico que os humanos inventaram, e muito mais importante pra mim, é que hoje é o dia SÓ da minha mamãe duas-pernas. O dia que ela nasceu há muito tempo atrás, e graças a isso eu pude vir morar com ela um dia =3

Então pra mostrar que eu posso entender os humanos direitinho apesar de ainda achar eles muito engraçados, eu vou dar pra mamãe um parabéns pelo dia só dela!

E tudo que eu quero é que isso se repita muitas e muitas vezes pra que eu passe esse dia e muitos outros no colo quentinho dela, recebendo petisco, carinho e atenção =3 E em troca, ela ganha de presente ter o prazer de me chamar de filhotinha.

Não é uma troca justa? :3

Mamãe (de duas-pernas) e eu =3

O Perigo Mora ao Lado o.o

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Quem vê eu e meus irmãos brincando, tão pulantes e felizes, nem imagina que a gente corria perigo. T_T Nem a gente imaginava também.

Eu sempre escutava histórias da mamãe sobre uns duas-pernas que na verdade eram monstros disfarçados; ela contava que  esses malvados perseguem e machucam quatro pernas, sem motivo nenhum!

Mas eu achava que era conversa da mãe pra assustar a gente. Desde que nasci, só conheci duas-pernas muito legais, que nos tratavam tão bem quanto a própria família!

Além deles, também tinha um tio de quatro patas que volta e meia vinha visitar a gente lá na casa quebrada e filar um pouco de ração e carinho:

 O tio Frajola

A mamãe não gostava muito dele não o.o Fazia fffuuu, dava uns tabefes e não deixava a gente brincar com ele (fica entre a gente, mas acho que ela tinha ciúmes!) Mas ele parecia meio bobão e deixava, ficava do lado de fora da casa, não chegava perto de nós.

Um dia, a mãe — que sempre saía pra dar uns passeios, esticar as pernas e caçar — contou que esse tio de quatro patas tava parado num quintal aqui perto, parado numa posição estranha, como quem quer ir da casa pra rua. Pelas conversas dos duas-pernas lá de casa, entendi que ele tinha comido alguma coisa que puseram pra ele e fez mal, chamada “veneno”. Não respirava mais.

Juro que nunca tinha visto tio Mushi e tia Marissel tão revoltados até rolar isso =(

No começo não entendi que história era essa de não respirar, como assim? Aí me explicaram que quando a gente pára de respirar, é porque não pode mais andar, miar, brincar, comer ou correr. Chamam isso de “morte”.

Percebi que aquilo que a gente sente quando não enche a pança por muito tempo ou quando nos machucamos mais forte (meus irmãos tinham uns dentes bem afiadinhos…) no fundo, era medo disso aí.

Não gostei nem um pouco da ideia >.<

Fiquei pensando, como a gente faz pra saber que tem o tal veneno nas coisas que os duas-pernas deixam pra gente comer? É tudo tão gostoso… qualquer um de nós pode fazer NHAC e depois PLOFT? o___o

Percebi que os monstros disfarçados de duas-pernas existem mesmo! E que inventam muitos jeitos diferentes de caçar a gente. Mas não entendo porque, se não é pra encher a própria barriga e nem se defender.

Acho que quem faz isso só pode ser por inveja. Afinal, todo mundo sabe que a raça superior é a dos felinos. o;õ

Mas não temos culpa se alguns nascem pequenos, independentes, elegantes e fofinhos, e outros nascem grandes, feiosos, pelados e tendo que se equilibrar em duas pernas… u.u Se forem de boa, a gente pode até deixar as diferenças e tratá-los como se fossem  um de nós!

Minha mãe costumava dizer que a gente teve muita, muita sorte, de não ter que enfrentar nada assim. Mas pelo jeito, sorte é coisa com que não se conta: outros dois quatro-patas que miam da vizinhança acabaram igual o tio frajola =/ Não miam mais.

O resultado é que quando a gente começou a ficar grande, andando e querendo conhecer o mundo igual a mamãe, os tios de duas-pernas lá de casa passaram a achar isso tudo muito perigoso e resolveram que a gente precisava arrumar novas casas, mais seguras, o mais rápido possível.

Me disseram que com toda essa história, eu tinha que aprender a ter cuidado. Mas o que aprendi mesmo é que por causa dos monstros disfarçados de duas-pernas, a gente que tem quatro não pode ser totalmente livre =(